NEGOCIAÇÃO COLETIVA
Sindicato dos Sapateiros de Parobé encerra negociação com reajuste acima da inflação
Negociação coletiva de 2026 garante reajuste geral de 4,50%, aumento de 5% nos pisos salariais e aumento em benefícios para a categoria.
Publicado em
31/08/2026 às 18:15
Atualizado em
O Sindicato dos Sapateiros de Parobé anunciou o encerramento das negociações coletivas de 2026 com reajuste geral de 4,50% para os salários da categoria, percentual acima do INPC acumulado em 12 meses, de 4,10%. O acordo foi fechado no último sábado, dia 29, em reunião com a diretoria efetiva, após uma semana marcada por negociações e contatos com a representação patronal.
Segundo João Pires, presidente do Sindicato, a primeira proposta apresentada na mesa foi de 4,10%, correspondente à inflação do período. O Sindicato então rejeitou o índice e manteve sua reivindicação inicial, de inflação mais 50% sobre o percentual inflacionário, o que representaria um reajuste de 6,15%.
Após novos debates, a representação patronal avançou para 4,30%, proposta que novamente não foi aceita pelo Sindicato, que só encerrou a negociação quando as partes chegaram aos 4,50% de reajuste geral.
“Foi uma negociação em que tivemos que fazer muita luta. A primeira proposta foi a inflação, nós rejeitamos. Depois veio 4,30% e também não aceitamos. Seguimos conversando, pressionando e buscando avançar até chegarmos aos 4,50%. Não conseguimos tudo aquilo que reivindicamos, mas conseguimos colocar o reajuste acima da inflação e garantir ganho real para os trabalhadores”, afirma João Pires.
Durante as negociações, segundo o dirigente, o setor patronal apresentou argumentos relacionados ao cenário econômico, à redução das exportações, às tarifas impostas pelos Estados Unidos, à situação do mercado argentino e à falta de mão de obra qualificada.
Para o Sindicato, no entanto, esses fatores não podem servir como justificativa permanente para impedir a valorização de quem trabalha na indústria calçadista. “Argumento nunca faltou do lado patronal. Mas nós também levamos argumentos para a mesa e mostramos a importância da mão de obra de Parobé. O trabalhador precisa entender que salário não aumenta sozinho e nem mesmo a reposição da inflação acontece de forma automática. Tudo isso precisa ser negociado e conquistado”, ressalta Pires.
Pisos e auxílio-creche também avançam
Além do reajuste geral, a negociação garantiu aumento superior para os pisos da categoria, já que reajuste dos pisos ficou em 5%, fazendo com que o trabalhador que ultrapassou os primeiros 90 dias de contrato passe a receber um salário mensal próximo dos R$ 2 mil.
Outro avanço foi a respeito do auxílio-creche, benefício conquistado pela categoria em negociações anteriores. O valor passa de R$ 70 para R$ 100 por criança, representando aumento de aproximadamente 42,9%. Este benefício é destinado às trabalhadoras abrangidas pela cláusula da Convenção Coletiva que possuem filhos de até quatro anos e trabalham em empresas que não oferecem creche, conforme as condições previstas no acordo.
Para o vice-presidente do Sindicato, Sidnei de Quadros, os avanços refletem uma negociação que exigiu persistência por parte da representação dos trabalhadores. “Foi com muito suor que nós conseguimos arrancar esses números da mesa de negociação. Gostaríamos de ter conseguido ainda mais, porque nunca estamos satisfeitos quando se trata de melhorar a vida do trabalhador, mas houve luta e houve avanço. É um resultado diferenciado e que mostra que vale a pena insistir”, afirma Sidnei.
Já o presidente, também pontua a qualidade da mão de obra da indústria calçadista de Parobé. “Quem conhece o produto feito aqui sabe da qualidade que existe. É a mão do povo de Parobé que produz essa riqueza todos os dias dentro das fábricas. Quando se fala em resultado das empresas, é preciso lembrar que existe trabalhador por trás de cada par de calçados produzido”, acrescenta Pires.
Sindicato destaca importância da mobilização
Ao fazer um balanço da campanha salarial, João Pires também voltou a defender uma participação maior dos trabalhadores durante o período de negociação. Segundo o presidente, além das reuniões com o patronal, a entidade realizou mobilizações, utilizou carro de som nas portas das fábricas e buscou manter a categoria informada durante todo o processo. “O Sindicato é uma ferramenta dos trabalhadores. A diretoria pode discutir, pressionar e brigar na mesa, mas a mobilização dentro das fábricas também faz diferença. Quando o trabalhador fala de salário, conversa com os colegas e mostra que está acompanhando a negociação, o patrão percebe que existe uma categoria mobilizada”, explica.
De acordo com a direção sindical, o reajuste de 4,50% também ficou acima de índices fechados em outras bases da região. O Sindicato afirma que acompanhou negociações realizadas em municípios vizinhos e utilizou esses resultados como referência durante as conversas com o setor patronal.
Trabalho continua após assinatura da convenção
Com a negociação encerrada, o Sindicato afirma que uma nova etapa começa: acompanhar o cumprimento da Convenção Coletiva pelas empresas. “Primeiro existe a luta para negociar e conquistar. Depois existe outra luta, que é fazer cumprir aquilo que foi assinado. As empresas maiores normalmente aplicam naturalmente, mas sempre existem situações em que o Sindicato precisa cobrar. Vamos continuar acompanhando”, afirma Sidnei.
O Sindicato dos Sapateiros de Parobé seguirá divulgando informações sobre a Convenção Coletiva e orientações aos trabalhadores em seus canais oficiais. A categoria pode acompanhar as atualizações pelas redes sociais da entidade em @sindiparobe.
Fonte: Assessoria de Comunicação do Sindicato dos Sapateiros de Parobé
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