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PROJETO MEMÓRIAS

Mulheres protagonistas na indústria calçadista inspiram projeto do Sindigrejinha

A nova edição do projeto criado pelo Sindigrejinha traz depoimentos de oito mulheres que conquistaram espaço e liderança na indústria calçadista da região.

Publicado em 04/11/2025 às 11:00

(Foto: Divulgação)

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A participação da mulher na indústria calçadista é considerada bem acima da média no comparativo com a indústria da transformação de modo geral. Enquanto outras atividades mobilizam em torno de 30,2% de mão de obra feminina, na produção de sapatos este percentual sobe para 49,4%, de acordo com levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Elas estão, majoritariamente, na costura, montagem, acabamento e revisão, ou seja, em cargos de pouca visibilidade, porém, essenciais para o negócio e que demandam cuidado, precisão e capricho.

Mas há um movimento de mudança e de novas perspectivas, guiado por mulheres que se desafiaram a abrir espaços e conquistar cargos de liderança e protagonismo – realizações que o projeto Memórias, uma iniciativa do Sindicato da Indústria do Calçado de Igrejinha/RS, vai tornar público. No dia 6, quinta-feira, a partir das 19h30, na sede da entidade, será lançada esta que é a segunda temporada da produção audiovisual. A primeira, lançada em 2024, resgatou a trajetória de empresários que ajudaram a construir a tradição calçadista da região. Esta segunda etapa chega para revisitar a história recente de oito gestoras e propagar as vozes destas mulheres que estão deixando a sua marca no mercado, com visão estratégica, resiliência, diálogo e competência.

Entre as entrevistadas está a primeira mulher, em 46 anos de Sindigrejinha, eleita para liderar a entidade na gestão 2026-2028, a diretora administrativa e financeira (CFO) da Calçados Piccadilly, Ana Paula Grings. Ao iniciar sua trajetória na empresa, em 1993, Ana Paula era a única mulher no setor de Desenvolvimento de Produto. “Digo que abri a porteira para elas, porque hoje somos 43%. Mas eu vejo que ainda tem muito espaço e a pergunta que sempre faço é se falta oportunidade ou estímulo para que mais mulheres ocupem especialmente as áreas técnicas, que ainda são predominantemente masculinas”, compara.

PRESENÇA FEMININA JÁ É REALIDADE

Atual presidente do Sindigrejinha, Vinícius Mossmann considera a presença feminina em cargos de liderança uma realidade. “A ruptura já foi feita e elas fazem parte desse ecossistema como protagonistas, trazendo um olhar diverso, que posiciona nossa indústria para os novos tempos”, considera. Mossmann também menciona a presença efetiva de mulheres na política industrial, com a eleição de Ana Paula como sua sucessora no Sindigrejinha e com o sindicato da cidade vizinha, Três Coroas, também em vias de ter sua primeira mulher no comando, a diretora criativa da marca de calçados Valentina, Ana Paula Roldo. “E ainda temos uma mulher à frente da CDL de ambas cidades”, acrescenta o dirigente.

29% DOS CARGOS DIRETIVOS OCUPADOS POR MULHERES

Pesquisa de 2024 da Abicalçados constatou que 29% dos cargos diretivos no setor calçadista brasileiro são preenchidos por mulheres, número que cresceu, em especial, nesta última década. O registro é ainda mais significativo levando em consideração que, na indústria de transformação brasileira, apenas 19,8% dos cargos de liderança são preenchidos por mulheres.

Recente pesquisa da consultoria McKinsey mostra que a presença feminina no mercado de trabalho, principalmente em cargos de liderança, pode gerar um aumento de até US$ 12 trilhões no Produto Interno Bruto (PIB) global até 2025. No Brasil, o acréscimo estimado seria de cerca de US$ 410 bilhões. Entre os diferenciais da gestão realizada por mulheres, especialistas indicam que elas têm melhor desempenho social, com maior chance de retenção de talentos, mais empatia e resiliência.

O surgimento de novas lideranças femininas, na avaliação da empresária Patricia Garcia Valejos, sócia-administrativa da Lenna Rios Calçados e uma das entrevistadas desta temporada, depende do momento e de um ambiente favorável para que se desenvolvam.

“Entretanto, apesar da resistência por parte da sociedade, estamos aqui, seja sozinhas, seja ao lado de parceiros de vida ou sócios, o que me deixa muito feliz por saber que esta história vai continuar por muitos anos”, celebra Patricia.

Para muitas destas mulheres, o percurso realizado até chegar aos cargos que almejaram exigiu esforço extra. “Comecei aos 17 anos, conciliando trabalho, estudos, maternidade e muito compromisso com aquilo que eu queria construir. Assim como eu, vejo muitas mulheres corajosas, preparadas e determinadas que estão ocupando espaços com a sua própria voz e com um olhar que transforma. Mulheres que, felizmente, não precisam mais abrir caminhos sozinhas, porque hoje já existe um chão mais firme, construído por outras que vieram antes”, avalia a diretora jurídica/DHO da Usaflex, Daniela Colombo, para quem estar no projeto Memórias é uma experiência cercada de simbolismos. “Foi uma oportunidade de olhar para trás com muita gratidão, entender tudo o que me moldou e reforçar o compromisso com tudo aquilo que eu ainda quero construir. Mais do que uma homenagem pessoal, esse projeto é um ato coletivo de valorização da presença feminina na indústria. Um convite à memória, sim, mas, principalmente, um chamado à continuidade”, frisa a gestora.

A JORNADA DUPLA DA MATERNIDADE

Executiva do Sindigrejinha, Jaqueline Ramos foi quem desenvolveu o projeto, convidou as participantes, conduziu as entrevistas e preparou os roteiros. Um ponto em comum nas falas de muitas delas chamou sua atenção. “Todas mencionaram a culpa que carregam por terem deixado em algum momento seus filhos em segundo plano, por não terem podido levar ao médico, assistir a uma apresentação na escola… para poder dar conta dos compromissos de seus negócios”, aponta a executiva. Por isso, a noite de lançamento do projeto Memórias - Segunda Temporada, em 6/11, não será somente uma celebração das empreendedoras, advogadas ou administradoras. “Vamos celebrar a mãe que se desdobra, que serve de exemplo e que constrói um legado de amor e dedicação”, acrescenta Jaqueline. A fala da executiva é respaldada pela futura presidente do Sindigrejinha. Mãe do Vicente e do Nicolas, Ana Paula menciona as tantas renúncias que a dupla jornada demanda e o forte senso de responsabilidade pelas vidas de tantas pessoas que dependem do negócio. “Vejo o Memórias como um reconhecimento por nossa dedicação e empenho em provar que é possível, que somos capazes de conciliar carreira, família e também o cuidado com a gente. Quem nos vê hoje não imagina tudo que passamos”, observa a CFO da Piccadilly.

PROJETO RECONHECIDO PELA FIERGS

Recentemente, o projeto Memórias foi selecionado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) para ser apresentado no 3º Congresso Sindical da Indústria, que ocorreu nos dias 30 e 31 de outubro, em Bento Gonçalves. A entidade identificou a iniciativa como um case de boas práticas sindicais, por celebrar as pessoas, suas trajetórias e o resgate da dedicação, inovação e empreendedorismo do setor calçadista gaúcho.

SERVIÇO:

  • O quê: lançamento do projeto Memórias - Segunda Temporada
  • Quando: dia 6 de novembro, às 19h30
  • Onde: sede do Sindicato das Indústrias de Calçados de Igrejinha (Trav. Germano Neubarth, 140, Centro)
  • Para assistir: os episódios serão lançados semanalmente no Instagram do Sindigrejinha @sindigrejinha e também serão disponibilizados no Youtube (youtube.com/@Sindigrejinha)

FICHA TÉCNICA:

  • Memórias - Segunda Temporada
  • Ideia original e produção: Sindigrejinha
  • Captação e edição: FTZ Audiovisual
  • Roteiro e entrevistas: Jaqueline Ramos
  • Locação das captações: sede do Sindigrejinha
  • Cenário: Móveis Tissot
  • Entrevistadas: Cristine Grings Nogueira (Piccadilly), Patricia Valejos (Lenna Rios), Micheli Doring (Ponto a Ponto Bordados), Daniela Paula Colombo (Usaflex), Ana Carolina Grings (Piccadilly), Luciane Manica (Metalização Igrejinha), Gabriela Petzinger (Calçados Status) e Ana Paula Grings (Piccadilly) 

Fonte: Jornalista Roberta Pschichholz

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