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CAMPANHA SALARIAL

1ª rodada de negociação entre sindicato e setor patronal termina sem acordo em Parobé

Sapateiros de Parobé reivindicam reajuste acima da inflação e manutenção de direitos.

Publicado em 21/08/2026 às 17:00
Atualizado em

(Foto: Divulgação / Sindicato do Sapateiros de Parobé)

(Foto: Divulgação / Sindicato do Sapateiros de Parobé)

A primeira rodada de negociação da campanha salarial 2026 dos trabalhadores do setor calçadista de Parobé terminou sem acordo. O encontro foi realizado na quarta-feira, dia 19, na sede do Sindicato dos Sapateiros de Parobé, reunindo representantes dos trabalhadores e do setor patronal. Durante a reunião, uma das principais reivindicações apresentadas pelo Sindicato é a reposição da inflação acumulada nos últimos 12 meses, acrescida de 50% sobre esse índice, garantindo não apenas a recuperação das perdas provocadas pelo aumento do custo de vida, mas também a valorização real dos salários da categoria. Além do reajuste salarial, o Sindicato defende a manutenção de todas as mais de 35 cláusulas da Convenção Coletiva que garantem a proteção e direitos aos trabalhadores.

Para o presidente do Sindicato dos Sapateiros de Parobé, João Pires, a primeira reunião contou com muitos embates e deixou evidente a distância entre aquilo que a categoria considera justo e o que o setor patronal está disposto a oferecer. “Foi uma negociação com muitos embates. O patronal coloca na mesa uma série de argumentos, fala da redução da jornada de trabalho, das medidas do governo Trump e das dificuldades do mercado. Mas nós também acompanhamos a realidade. Enquanto vemos notícias positivas na imprensa, empresas divulgando bons resultados, lucros e acionistas satisfeitos, na hora de dividir um pouco desse resultado com quem produz, o que oferecem ao trabalhador é muito pouco”, afirma Pires. 

O Sindicato argumenta que a reivindicação apresentada não busca apenas recompor aquilo que foi perdido para a inflação. A entidade considera necessário que os trabalhadores tenham aumento real diante da produtividade, da qualificação da mão de obra e dos resultados alcançados pelas empresas. “Nossa proposta é clara, nós queremos a inflação dos últimos 12 meses mais 50% sobre esse índice. O trabalhador não pode passar mais um ano apenas correndo atrás do que perdeu no supermercado, na luz, no aluguel e nas contas de casa, é preciso avançar. Temos uma mão de obra altamente qualificada e, mesmo assim, vemos o patronal insistindo num caminho de cada vez mais exploração e pouca valorização de quem realmente produz”, destaca João Pires.

Para a direção do Sindicato, o cenário apresentado pelo setor empresarial nas negociações também precisa ser confrontado com as informações positivas divulgadas pelo próprio setor calçadista. O crescimento de empresas, os resultados financeiros e a satisfação de investidores, segundo a entidade, precisam chegar também àqueles que estão diariamente nas linhas de produção.

O vice-presidente do Sindicato, Sidnei de Quadros, reforça que nenhum resultado empresarial surge sozinho. “Lucro não é mágica e o resultado que aparece no balanço das empresas começa lá dentro da fábrica, na mão do povo parobeense que acorda cedo e está todos os dias produzindo. São esses trabalhadores e trabalhadoras que colocam o calçado na rua e ajudam as empresas a crescer. Se existe resultado para comemorar, quem produz essa riqueza também precisa ter sua parte reconhecida”, afirma Sidnei.

Sindicato chama trabalhadores à mobilização - Sem acordo na primeira rodada, as negociações terão continuidade. Para João Pires, o momento exige ainda mais união e participação dos trabalhadores dentro das fábricas. “Agora é a hora de a categoria se mobilizar ainda mais, conversar com o colega, acompanhar as negociações e mostrar dentro das fábricas que quer valorização. Quanto mais unida estiver a categoria, mais força nós teremos na mesa de negociação. O patronal precisa entender que não estamos falando de números numa folha de papel. Estamos falando do salário e da vida de milhares de famílias de Parobé”, afirma o presidente.

Como não houve acordo neste primeiro encontro, o sindicato deve divulgar nos próximos dias a data para a nova rodada de negociação para a campanha salarial deste ano. Os trabalhadores podem acompanhar todas as informações e atualizações da campanha salarial pelas redes sociais oficiais da entidade, no perfil @sindiparobe.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Sindicato dos Sapateiros de Parobé

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