CEM ANOS DEPOIS
Objetos preservados ajudam a contar a história da imigração de Oldenburg para Rolante
Exposição "Memória em Travessia" reúne objetos guardados por quatro gerações para celebrar o centenário da chegada de imigrantes alemães ao município.
Publicado em
31/07/2026 às 16:20
Atualizado em
Iniciativa busca resgatar e preservar costumes que os imigrantes trouxeram da Alemanha. (Foto: Lucas Willers)
Na exposição, podem ser conferidas cartas manuscritas em alemão e documentos históricos. (Foto: Lucas Willers)
Entre os objetos que mais chamam a atenção estão os tradicionais sapatos de pau. (Foto: Lucas Willers)
Há cem anos, 159 imigrantes deixavam a região de Oldenburg, no norte da Alemanha, para reconstruir a vida em Rolante, no Vale do Paranhana (RS). Entre 1924 e 1926, essas famílias atravessaram o Atlântico, incentivadas pelo padre Jorge Anneken, levando na bagagem muito mais do que objetos pessoais. Trouxeram costumes, tradições, documentos, ferramentas de trabalho, objetos religiosos e lembranças de uma terra que muitos sabiam que nunca mais voltariam a ver.
Um século depois, essa história volta a ganhar protagonismo por meio da exposição Memória em Travessia – De Oldenburg a Rolante 100 anos de uma história que atravessou o oceano, que será inaugurada neste domingo, 2 de agosto, às 9h, no Memorial Anneken, espaço cultural mantido pela Sicredi Caminho das Águas e dedicado à preservação da memória do cooperativismo e do padre Anneken, personagem fundamental tanto na vinda dessas famílias ao município quanto na história do cooperativismo de crédito na região. A exposição integra as comemorações do centenário da imigração oldemburguesa para o município e reúne objetos preservados por descendentes dessas famílias.
Segundo a curadora, Simone Grings, a iniciativa nasceu do desejo da própria comunidade de retomar uma tradição que havia sido interrompida com o passar das décadas. "Essa exposição marca os 100 anos do final da vinda desses imigrantes de Oldenburg para Rolante. Eles comemoraram os 25 anos, depois os 50 anos, mas, com o passar do tempo, as pessoas foram falecendo e os descendentes não mantiveram esse costume. Então montamos uma comissão de pessoas interessadas na preservação dessa história, dessa cultura e dessa identidade para organizar esses festejos", explica.
A ligação entre o sacerdote e a comunidade permanece viva até hoje, razão pela qual o Memorial Anneken assumiu papel central nas comemorações do centenário. "As famílias que vieram de Oldenburg tiveram, e continuam tendo, uma importância muito grande no desenvolvimento de Rolante e também de toda a região", destaca Simone.
Objetos que atravessaram o oceano e um século de história
A exposição convida o visitante a refletir sobre as escolhas feitas por quem deixou definitivamente a Alemanha para construir uma nova vida no Rio Grande do Sul. "A exposição busca resgatar costumes e mostrar objetos que eles trouxeram da Alemanha nas suas caixas e bagagens, para que também possamos pensar o que era importante levar para uma nova vida. Muitos vieram com a certeza de que nunca mais retornariam para a Alemanha. Deixaram parentes, irmãos, filhos. Existe também toda essa dimensão sentimental", salienta a curadora.
Entre os itens expostos estão cartas manuscritas em alemão, documentos históricos, fotografias, livros que registram a trajetória dos descendentes, utensílios domésticos, móveis, peças religiosas e objetos do cotidiano que ajudam a reconstruir a vida dos primeiros imigrantes em Rolante. Entre os objetos que mais chamam a atenção estão os tradicionais sapatos de pau, uma marca da imigração oldemburguesa em Rolante. Além dos calçados, a exposição apresenta as ferramentas originais utilizadas para sua fabricação, trazidas da Alemanha pelos imigrantes e preservadas por descendentes da comunidade. "Eles continuaram produzindo esses sapatos aqui. Trouxeram da Alemanha, inclusive, as ferramentas para fabricar os sapatos de pau. Hoje conseguimos apresentar também esses instrumentos na exposição", acrescenta. Outro núcleo reúne peças que integravam o altar da antiga igreja católica de Rolante, construído por Clemens Bohlke, um dos imigrantes de Oldenburg.
Memória construída de forma coletiva
Grande parte do acervo exposto permaneceu durante décadas sob os cuidados das próprias famílias descendentes e foi cedida especialmente para as comemorações do centenário. As peças pertencem ao acervo do Memorial Anneken, ao museu municipal e a coleções particulares da comunidade. Entre elas estão objetos reunidos ao longo da vida por Maria Dasenbrock, que catalogou dezenas de peças trazidas da Alemanha, o acervo do museu particular mantido por João e Maria Schierholt e ferramentas utilizadas na fabricação dos sapatos de pau, preservadas por Hugo Dasenbrock.
"São pessoas da comunidade que, de forma colaborativa, emprestaram essas peças para que a gente pudesse montar a exposição. Ao investir na preservação da história e na aproximação da comunidade com seu patrimônio cultural, a Sicredi Caminho das Águas reafirma sua essência cooperativista: pessoas construindo, juntas, um futuro melhor, sem perder de vista as raízes que lhes deram origem", afirma Simone.
Para a diretora municipal de Cultura, Joyce Aline dos Reis, comemorar o centenário da imigração de Oldenburg para Rolante é manter viva a contribuição e o legado dessas famílias para o desenvolvimento do nosso município. “É a possibilidade de imaginar as dificuldades que enfrentaram e aprender observando a esperança e a fé que os moviam em busca de uma vida melhor. Que essa coragem e otimismo continuem inspirando o povo rolantense”, deseja Joyce.
A mostra busca preservar histórias. Cada carta, fotografia, móvel ou utensílio ajuda a reconstruir a trajetória das famílias que atravessaram o oceano há um século e participaram da formação de Rolante.
Como parte das homenagens, no domingo (2), haverá também uma recepção na Sociedade Carlos Gomes, com almoço típico alemão. O evento contará com a participação do médico Paulo Timmen, filho de Frederico Augusto Timmen, imigrante de Oldenburg. Com 85 anos, além de médico atuante e presença marcante na comunidade, é autor de um livro que conta as histórias dos imigrantes, com fotos e memórias do pai.
Padre Anneken deixou legado na imigração e no cooperativismo
A imigração das famílias da região de Oldenburg para Rolante está diretamente ligada à atuação do padre Anneken. Foi ele quem intermediou a vinda de 159 imigrantes entre 1924 e 1926, incentivando essas famílias a iniciarem uma nova vida no município. Sua atuação também marcou a história do cooperativismo de crédito na região. O religioso está entre os personagens ligados à origem da cooperativa que, décadas depois, daria origem à atual Sicredi Caminho das Águas, instituição que mantém o Memorial Anneken e apoia as comemorações do centenário.
SERVIÇO
- Exposição Memória em Travessia – De Oldenburg a Rolante 100 anos de uma história que atravessou o oceano
- Abertura: Domingo, 2 de agosto, às 9h
- Local: Memorial Anneken (Av. Cel. João Linck, 749 – Rolante)
- Visitação: até 15 de agosto, de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e sábado, das 9h às 12h
- Entrada: Gratuita
Sobre a Sicredi Caminho das Águas
Constituída em 1923, a Sicredi Caminho das Águas integra o Sistema Sicredi – composto por mais de 100 cooperativas em todo o Brasil. A instituição oferece um portfólio completo com mais de 300 soluções financeiras para liberar o potencial de pessoas e negócios. Com sede em Rolante (RS), reúne 100 mil associados em uma área de atuação que abrange 33 municípios do Vale do Paranhana, Vale do Sinos e do Litoral Norte gaúcho, como Igrejinha, Sapiranga, Taquara, Capão da Canoa, Torres, Osório, Tramandaí, entre outros.
Fonte: Assessoria de Imprensa da Sicredi Caminho das Águas
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