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ESTUDO

Pesquisa apresenta grupo mais vulnerável a COVID-19 em cidades do Vale dos Sinos

Objetivo do estudo da Universidade Feevale é auxiliar o poder público na tomada de decisões para proteção ao grupo de risco.

Postado em 28/03/2020 às 12:30 |

Novo Hamburgo/RS (Foto: Divulgação)

Campo Bom/RS (Foto: Divulgação)

São Leopoldo/RS (Foto: Divulgação)

O grupo de pesquisa e extensão Ambiente e Sociedade da Universidade Feevale está conduzindo um estudo com o objetivo de demonstrar a distribuição espacial (local onde vivem), por faixas etárias, das populações que fazem parte do grupo de risco ao contágio da Covid-19, além de apresentar os grupos mais vulneráveis. Por meio de dados do Censo 2010 e projeções a partir do DataSUS, foi possível apresentar as regiões, dentro dos municípios de Campo Bom, Novo Hamburgo e São Leopoldo, com maior vulnerabilidade a partir da criticidade das populações (pessoas em situação de vulnerabilidade social).

“Esses dados podem contribuir com o poder público na tomada de decisões na minimização do contágio. Outra frente é o mapeamento, a partir da rede hoteleira local, de potencialidades e capacidade de abrigo a grupos de isolamento”, explica o líder do estudo e pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão da Feevale, João Sganderla Figueiredo.

Para o estudo, realizado de forma totalmente em formato digital pelos pesquisadores da Universidade, foram utilizados os parâmetros de infecção, sobrevivência e óbitos registrados em Wuhan, a primeira cidade a registrar a epidemia, entre 29 de dezembro de 2019 e 31 de janeiro deste ano. Dentre os parâmetros clínicos, foi considerada a idade entre 63 a 76 anos como a mais crítica, bem como a transmissão viral de 20 dias entre os sobreviventes. Após análise do Censo 2010 e as projeções do DataSUS, a estimativa do total de pessoas no maior grupo de risco nas três cidades estudadas é:

  • Campo Bom – 18.943 pessoas
  • Novo Hamburgo – 63.939 pessoas
  • São Leopoldo – 75.818 pessoas


Regiões mais vulneráveis

Em seguida, depois de análise de uma série de parâmetros, foram selecionadas cinco variáveis principais que ajudaram os pesquisadores a definir em quais bairros estão as pessoas mais socialmente vulneráveis à infecção por Covid-19. São elas: densidade e renda dos domicílios; faixas etárias; tipo de ocupação e renda entre 1 e 2 salários; ausência de banheiro na residência (higiene); e possível ocupação irregular e renda total. “Os dados preliminares mostram que a faixa etária é tão importante quanto renda e características do domicílio, e que a tomada de decisões pode levar em consideração às áreas mais vulneráveis”, afirma Figueiredo.

Após os levantamentos, foi possível elencar as regiões em que as populações estão mais vulneráveis ao Coronavírus. São elas:

  • Novo Hamburgo: Canudos, Vila Diehl, Roselândia e Primavera
  • Campo Bom: Santa Lúcia e Cohab Sul
  • São Leopoldo: Arroio da Manteiga, Santos Dumont e Feitoria


Próximas ações

O próximo passo é verificar, junto à rede hoteleira da região, a capacidade dos alojamentos para isolamento dos mais vulneráveis. Estão sendo realizadas, ainda, reuniões com as prefeituras dos três municípios para apresentar os resultados e auxiliar na tomada das decisões dos executivos locais.

A professora Danielle Paula Martins, líder do projeto de extensão Atuação em Desastres Naturais, acredita que esse estudo poderá contribuir com os municípios avaliados, não só para agir após instalado o cenário de maior demanda de atendimento, mas sim preventivamente. "A vulnerabilidade das pessoas nos preocupa muito, e pode ser um desafio maior do que as faixas etárias que compõem o grupo de risco,” afirma. "As aglomerações nas cidades demonstram ser o principal aspecto a ser observado na implementação de ações que visem reduzir os impactos da pandemia. Infelizmente, em muitas das aglomerações estão aqueles que apresentam pouco rendimento, famílias numerosas e concentradas, pouco acesso ao saneamento e outros fatores de risco”, completa a docente.

Para o pró-reitor Figueiredo, todos precisam, urgentemente, ouvir a ciência. “Mais do que ouvir, temos de nos sensibilizarmos com o problema e termos ações responsáveis. É hora de somarmos e não dividirmos. É hora do público e privado se unirem, em um único projeto. Um projeto que consiga, de forma responsável, remediar as questões econômicas, mas atarmos com força o que é real e que temos como exemplo concreto nos países por onde o vírus está passando. Esse projeto não resolve o problema, mas acreditamos que remediará o avanço do Coronavírus. Ele se apresenta a realidade vulnerável da sociedade, onde teremos, com evidências, os maiores problemas”, finaliza.

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