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EDUCAÇÃO

Luz de emergência: qual deve ser o foco da Educação básica

Números alarmantes mostram dificuldades do Brasil em melhorar índices de proficiência em leitura, compreensão e interpretação textual.

Postado em 18/01/2019 às 13:09 |

Após a aplicação das provas da Olimpíada Brasileira de Matemática do ano passado, formou-se no pátio da escola onde trabalho o tradicional grupinho de alunos comentando as questões do exame e comparando as respostas assinaladas.

Fiquei curioso, então me aproximei e acompanhei o seguinte diálogo:

— A questão 7 era fácil, ó. Era só usar essa fórmula aqui. — dizia uma

estudante.

— Bah! — respondeu o colega, em um lamento— essa fórmula é barbada.

— Por que você errou essa, então? — eu estranhei, entrando na conversa.

— É que eu não tinha entendido que era pra resolver desse jeito aí — afirmou ele, desconsolado.

O diálogo descrito acima evidencia a principal lacuna — entre muitas que poderíamos enumerar – da Educação brasileira. A baixa proficiência de crianças e adolescentes na interpretação de textos interfere na compreensão de conteúdos abordados em todas as disciplinas e áreas do conhecimento. Aliás, a habilidade da compreensão textual é tão importante que poderia ser comparada aos pilares de uma construção: apenas a partir dela podem ser construídos saberes que serão imprescindíveis para a formação dos estudantes.

Uma distorção comum das políticas públicas empregadas no Brasil nessa área é desassociar a alfabetização do letramento, como se a prática da leitura envolvesse apenas a decodificação de símbolos, juntando sílabas que formarão palavras e enunciados. Na verdade, ler é compreender, entender os múltiplos sentidos (explícitos e implícitos) que uma frase carrega e, em um nível mais avançado, saber se posicionar de forma crítica a respeito do conteúdo do texto.

Ao mesmo tempo, há um fator cultural preponderante, na medida em que o hábito da leitura ainda está longe de fazer parte das principais preferências da população brasileira. Não é a toa que grandes editoras e livrarias sofram atualmente uma de suas mais graves crises financeiras, acarretando inclusive na restrição de muitas de suas atividades e congelamento de investimentos.

Como resultado, o Brasil amarga índices que mostram estagnação no que tange ao desempenho dos jovens em interpretação textual. Dados divulgados pelo último PISA (Programa de Avaliação Internacional de Estudantes) revelam que pouco mais da metade dos alunos do nosso país estão abaixo de níveis mínimos de proficiência em leitura. É um dado alarmante que não pode ser ignorado.

Pais e professores têm, portanto, o desafio de estimular a leitura de forma constante. Sobretudo a escola deve apresentar ao aluno o maior número possível de gêneros textuais e de atividades diferenciadas de leitura, evidenciando a onipresença dos enunciados no nosso dia a dia e as inúmeras possibilidades de análise de cada texto. Sem uma guinada da educação básica que priorize a leitura e a interpretação de textos, corremos o risco de formar cidadãos incapazes de exercer plenamente sua cidadania em um mundo cada vez mais conectado e exigente.

Luís Felipe Loro | Igrejinha/RS

Sobre o Autor

Professor de Língua Portuguesa, com Graduação em Letras pela Universidade Feevale, e especialização em Formação de Leitores pela Faculdade Dom Bosco.

Luís Felipe Loro | Igrejinha/RS


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