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EDUCAÇÃO

Celular em sala de aula: é certo proibir?

Aparelhos podem ser inimigos da concentração ou aliados da aprendizagem.

Postado em 07/02/2019 às 21:53 |

(Foto: Divulgação)

Desde 2008, há uma lei em vigor no Rio Grande do Sul que proíbe a utilização de celular em sala de aula. A legislação, de apenas um artigo, engloba instituições públicas e privadas de todos os níveis de ensino (inclusive faculdades e universidades), não prevê punição para quem descumprir a medida, nem possibilita margens de excepcionalidade.

Primeiramente, é preciso lembrar que uma lei, seja ela eficaz ou não, sempre é gerada pela necessidade de corrigir ou evitar algo que possa produzir efeitos que se considerem negativos sobre a sociedade. Em todos os casos, debates profundos são necessários, para que sejam elucidados alguns questionamentos básicos: o que queremos evitar? Por que queremos evitar? Qual é a melhor forma para isso? Quais serão os termos da lei? De que forma será acompanhado o seu resultado na prática?

Inegavelmente, um aparelho de telefone móvel carrega consigo infinitas possibilidades de distração, alheias aos interesses do espaço escolar. Troca de mensagens, jogos no dispositivo e navegação nas redes sociais são exemplos clássicos de como o uso do celular em horário de aula pode atrapalhar a concentração e o aprendizado do aluno. Nesse sentido, poderia se concluir que a lei é benéfica para a Educação, e que os professores deveriam combater o uso desses dispositivos de forma ferrenha. Porém, o perigo dessa abordagem reside no fato de que, quando você proíbe algo na escola, está passando a mensagem de que aquilo jamais poderá servir para o desenvolvimento do aluno.

Contudo, ao fazermos uma análise mais aprofundada, um primeiro elemento que se impõe é o fato de que os smartphones mudaram bastante de 2008 para cá. A conexão com a internet evoluiu muito na última década, e aplicativos com funções escolares finalmente estão saindo do papel. Algumas editoras, por exemplo, já investem em livros didáticos nos quais os alunos podem saber mais sobre um tema de seu interesse, apenas acessando o aplicativo do livro e colocando o leitor do aparelho sobre o campo indicado.

Pensando em uma situação mais simples, é muito mais barato e viável que alunos possam acessar arquivos em PDF nas telas de seus celulares durante certas aulas, principalmente de textos mais longos, em vez de a instituição ter que imprimir centenas de cópias para todos os estudantes. São possibilidades tecnológicas – algumas simples, outras sofisticadas - das quais não podemos abrir mão.

Na verdade, é missão fundamental dos educadores, em tempos tecnológicos, evidenciar aos estudantes que os aparelhos digitais não servem apenas para entretenimento. Que, se utilizados de forma consciente, podem ser úteis para auxiliar no aprendizado e, futuramente, servir inclusive como uma ferramenta de trabalho.

Não é de hoje que algumas pessoas, educadores inclusive, demonstram resistência, como se as mudanças sofridas pelo mundo não alcançassem os muros das escolas. Mas deveria ser ao contrário. A Educação prepara alunos para o futuro, por isso necessita de constantes quebras de paradigmas. Permitir o celular em sala de aula, em situações específicas de aprendizagem, prevê uma conscientização dos adolescentes que não será fácil. Nenhuma mudança é fácil. É certo que inicialmente haverá excessos por parte dos alunos, pois o discernimento leva tempo para ser internalizado.

Por isso, proibir parece mais simples do que educar. Mas a Educação não se constrói por atalhos. Se a sociedade é tecnológica, a escola deve ensinar o aluno a usar a tecnologia a seu favor; em vez de ignorá-la. Não podemos fugir desse desafio.

Luís Felipe Loro | Igrejinha/RS

Sobre o Autor

Professor de Língua Portuguesa, com Graduação em Letras pela Universidade Feevale, e especialização em Formação de Leitores pela Faculdade Dom Bosco.

Luís Felipe Loro | Igrejinha/RS


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